O universo da perfumaria é repleto de casas históricas; marcas quase centenárias que se perderam no tempo, mas que marcaram a sua época pela fama e inovação.

O universo da perfumaria é repleto de casas históricas; marcas quase centenárias que se perderam no tempo, mas que marcaram a sua época pela fama e inovação.
by : Roberto D'Angelo

A Casa Babani foi uma importante e vanguardista marca de alta-costura e perfumaria francesa, reconhecida historicamente como uma das pioneiras na criação de perfumes assinados por estilistas.

A empresa foi fundada em 1894, por Vitaldi Babani, um imigrante de origem nobre do Médio Oriente. Em 1895 Vitaldi Babani comprou uma loja na Rua D´Anjou, em Paris, que vendia produtos importados da China e do Japão, era um verdadeiro delírio para as amantes do luxo, pois a loja oferecia uma infinidade de tecidos bordados em sedas, tapetes, móveis e objetos de decoração importados da rota da seda, que abrangia países como a China, Índia, Irã e Turquia.

No final do século XIX, em plena Belle Époque, a moda do 'orientalismo' já seduzia a sofisticada elite parisiense quando a loja lançou uma ousada linha de roupas femininas inspirada no Oriente.

Impulsionado pelo sucesso da loja em 1919, Vitaldi seguiu os passos de Chanel e Poiret ao encomendar uma linha de perfumes para o seu filho, o renomado couturier Maurice Babani. Alinhada com a tendência do orientalismo, a coleção apresentava frascos e embalagens luxuosas e tornou-se um verdadeiro sucesso.

Conforme os textos da época, a maioria dos anúncios de perfumes trazia ilustrações de Michelle Pichon. Estas peças publicitárias adotavam o slogan da casa Babani (especializada em produtos do Oriente) e destacavam a origem oriental de todas as suas fórmulas e componentes

Sob o comando de Maurice Babani, filho do fundador, a marca tomou uma importante decisão após a Primeira Guerra Mundial, consolidando-se pelo seu pioneirismo ao tornar-se o segundo costureiro francês na história — precedido apenas por Paul Poiret — a lançar uma linha de perfumes sob a chancela da sua própria casa de alta-costura.

“Perfume-se como as mulheres européias, com os perfumes Babani, a escolha das mulheres inteligentes”

Até àquela época, os perfumes eram criados exclusivamente por casas tradicionais especializadas (como a Guerlain ou a Houbigant). A Babani percebeu que as fragrâncias podiam ser uma extensão natural e muito lucrativa do estilo de vida exótico que vendiam na moda

Maurice Babani destacou-se também por ser o primeiro a criar nomes de marketing exclusivos e conceituais para os seus perfumes, evocando mistério e geografias distantes para combinar com as suas coleções têxteis, entre eles destacamos:

Afghani (1919/1920). Yashmak (1919): Nome inspirado no véu tradicional usado por mulheres muçulmanas. Ambré de Delhi (1919): Apresentado num frasco dourado quadrado desenhado por Maurice Dépinoix. Chypre Egyptienne (1919): Famoso pelo seu frasco oval decorado com dois grifos de pescoços entrelaçados.

Abdulla (1926) e Sousuki (1928).

Em 1924, a empresária da beleza Elizabeth Arden introduziu as fragrâncias da Babani em larga escala no mercado dos Estados Unidos. A estratégia consistia em vender um conjunto de seis fragrâncias concebidas como um "guarda-roupa de perfumes".

No ano seguinte, um anúncio num jornal americano destacava: "Elizabeth Arden trouxe exclusivamente para a América a moda francesa de combinar dois ou três perfumes Babani para criar uma fragrância única, que complementa o ideal de beleza da marca. São aromas que ninguém consegue identificar ou imitar, permitindo-lhe variar conforme o seu humor e personalidade. Todos os perfumes Babani podem ser combinados para criar uma nova harmonia olfativa."

A Casa Babani continuou as suas operações de moda e perfumaria em França de forma respeitada até 1840, ano em que encerrou definitivamente as suas atividades devido ao impacto da Segunda Guerra Mundial.

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