A Evolução dos Chipres - Parte 1
Em 1917, François Coty lançou um perfume baseado num acorde que já havia sido utilizado anteriormente.
Focado nos ingredientes mediterrâneos, como a bergamota, ládano (resina vegetal) e musgo de carvalho, ao combinar à outras notas, o perfumista atingiu uma harmonia inédita e surpreendente.
Batizado de Chypre, um tributo à ilha cujas florestas úmidas serviram de inspiração, aquele novo acorde conquistou Jacques Guerlain, que o tornou mais abstrato, complexo e sensual com a ajuda de novos sintéticos, lançando Mitsouko em 1919.
Nascia então a família Chipre, com seu aspecto amargo, terroso e animálico, entraria em choque com o estilo atalcado dos perfumes de rosa e violeta em voga na Belle Époque do début du siècle XX.
Mas foi nos anos 20 que o perfume ganhou força com as mulheres, que naquela época passavam por uma reviravolta na moda e no comportamento passando a desempenhar papéis até então masculinos.
Os preferidos eram aqueles com notas marcantes de tabaco e couro. Esse subgênero começou com Tabac Blond (1919) e Cuir de Russie (1924) e se estendeu até os anos 1940-50 com Bandit (1944), Jolie Madame (1953) e Cabochard (1959).